ATENÇÃO: Blog sem vínculos institucionais! Instrumento particular do Professor.

sábado, 13 de março de 2010

Alerta aos Educadores Paulistanos

Há pelo menos quatro anos há índicios muito fortes de uma terceirização/privatização do ensino municipal. Quando eu comentava, na ocasião, com alguns colegas, muitos duvidavam. Mas agora o negócio começa a "pegar forma".

Há decadas existem convênios com entidades particulares, sobretudo na questão dos CEIs (antigas creches): é mais fácil firmar convênios desse tipo do que fazer crescer a rede; é mais fácil colocar o dinheiro na mão das entidades, para elas se virarem, do que a própria administração fazer aquilo que é seu dever constitucioal: prover as necessidades educativas da população, e de forma direta (com seus equipamentos e seus recursos humanos, não os de terceiros).

Em 2006, por ocasião do Programa "São Paulo é uma escola", ao ampliar-se o tempo de permanência dos alunos dentro da escola (cumprindo a tal ampliação colocada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), criou-se em São Paulo a figura do oficineiro e das ONGs na Educação: as sextas aulas eram administradas por pessoas ligadas a entidades pagas pelo dinheiro público. Viu-se a criação de muitas ONGs para essa finalidade.

Claro que existem as ONGs sérias. Mas aflorou-se muitas com atitudes duvidosas. Por exemplo: juntar duas ou mais classes em uma única sala de aula e trabalhar capoeira, para ganhar por três turmas ao mesmo tempo. Nesse exemplo, obviamente, a qualidade do trabalho é nitidamente questionável pelos resultados obtidos: alunos machucados por trabalharem em espaço não compatível com a prática - e sobrava para os professores dessas turmas justificarem o injustificável para as mães que lhes reclamavam (quando não ameaçavam).

Paralelamente a isso, sempre existiram entidades ligadas a bancos e emissoras televisivas que se propuseram a fazer "trabalhos voluntários" dentro das escolas.  Nessas escolas o progresso não é atribuído ao trabalho docente, mas a esse trabalho terceirizado. Cria-se no inconsciente coletivo de que o público não tem qualidade, por isso o privado precisa se intrometer.

Junta-se a isso, mais recentemente, uma onda de propagandas institucionais de várias entidades e fundações mostrando seus feitos em suas instituições educativas, para alimentar ainda mais nesse inconsciente coletivo de que o privado gera soluções educacionais, o público está falido. Não cabe neste blog elencar essas entidades, mas devemos lembrar de algumas dessas propagandas, como a de uma fundação ligada a um grande banco privado, que diz possuir "a maior rede de ensino privado gratuito do Brasil";  ou de uma entidade ligada a industriários que sempre mostra sua qualidade no ensino técnico. Sem falar de uma entidade montada por um artista novelistico que sempre se coloca como "amigo" da escola (como se o docente fosse seu "inimigo" e, por isso, precisa de um "amigo" para melhorar-lhe a "qualidade").

Neste início de 2010 finalmente está se falando aos docentes sobre um "Plano Municipal de Educação". Acontece que esse plano não foi criado agora, é uma caminhada iniciada há anos, na qual o docente não foi chamado inicialmente. Sabe quem foi chamado desde o início e está contribuindo com sua "visão de educação"? Se ainda não se deu conta, volte ao início deste artigo e leia-o atentamente. Se ainda não percebeu porque há um discurso sobre as faltas dos professores e da criação de parâmetros institucionais de avaliação da rede, por favor, pare tudo agora e reflita profundamente sobre tudo o que estamos passando na rede nos últimos anos!

Agora pare um pouco e pense como o transporte coletivo vem sendo administrado aqui em São Paulo há mais de 10 anos. Não parece, mas tem tudo a ver com o que está acontecendo na Educação - e ninguém fala nada!

Veja: anteriormente tinhamos a CMTC (Companhia Municipal de Tranportes Coletivos), com frota própria e que controlava a frota de ônibus das empresas privadas (exatamente como acontece na Educação: a Prefeitura tem sua rede de escolas, mas gerencia as escolas particulares).

Acontece que a CMTC "comia" muito dinheiro público e era ineficiente. Então, ao invés de sanar os problemas internos dela, optou-se por "vendê-la" a empresas particulares (estas sim, são eficientes, como no discurso velado das entidades "parceiras" da Escola). A CMTC deixou de existir enquanto empresa pública (sua frota passou para empresas particulares) e em seu lugar criou-se um órgão gerenciador do transporte coletivo, a SPTrans (São Paulo Transportes): agora não tem mais frota, gerencia a frota das empresas particulares. Ou seja: trocou-se o público pelo terceirado, exatamente como ocorrerá com a Educação!

Continuando essa comparação da Educação com os transportes: sabe o que acontece com muitas empresas de ônibus aqui em São Paulo: elas não têm mais o funcionário com registro em carteira, contrata o motorista e o cobrador como um funcionário autônomo, numa espécie de "quarteirização" - dizem que é uma forma "eficiente" de se contratar, pois os encargos sociais "pesam" muito na folha de pagamento e que o funcionário registrado tem "muitos direitos" os quais atrapalham a "eficiência da empresa". Não parece com o discurso de que as faltas abonadas dos professores prejudicam a "qualidade" da educação?

Tem mais: há escolas particulares por este mundo afora que já "quarteirizaram" seu quadro docente, exatamente como várias empresas de ônibus fizeram com seus funcionários. Agora isso tudo chegar na rede municipal paulistana é uma questão de tempo!

Agora pare mais um pouco e reflita a quem interessa esse discurso de ótimos resultados em prova disso e daquilo. Pense também naquele seu aluno portador de necessidade especial, que teve um grande desempenho em aula, mas que as provas instituionais são incapazes de avaliar. Pense no porque sua gratificação salarial está atrelada aos resultados das provas institucionais e às faltas docentes. Pense numa rede estadual que já premia seus docentes por supostos "méritos". Pense num jornalista, proprietário de uma ONG, que critica o público e enaltece o privado. E, finalmente, compare, como eu fiz, o que aconteceu na administração do transporte coletivo paulistano e no que vem acontecendo conosco e em nosso sistema de ensino.

Pense com carinho. Mas não fique só no pensar e no lamentar. Porque enquanto estivermos lamentando e queixando, alguém estará tomando decisões em nosso lugar. E quando nos dermos conta, será muito tarde, estaremos "estufados e mortos" como o sapo que aqueceu-se junto às águas de sua lagoa: reclamava, mas não tomava qualquer atitude.

Escrevo e publico este arquivo em um fim de semana, fora de meu local e horário de trabalho, para que eu possa analisar a situação à distância, sem "sofrer" com as "consequências" do aquecimento da água de "nossa lagoa".

Abraços fraternais.


João César

Em tempo: estou cumprindo o dispositivo constitucional de liberdade de expressão. E ninguém poderá sentir-se ofendido por este artigo, uma vez que não citei nomes de absolutamente ninguém. E mais: "contra fatos não há argumentos", como se diz popularmente.

Alerta aos Educadores Paulistanos

Há pelo menos quatro anos há indícios muito fortes de uma terceirização/privatização do ensino municipal. Quando eu comentava, na ocasião, com alguns colegas, muitos duvidavam. Mas agora o negócio começa a "pegar forma".

Há décadas existem convênios com entidades particulares, sobretudo na questão dos CEIs (antigas creches): é mais fácil firmar convênios desse tipo do que fazer crescer a rede; é mais fácil colocar o dinheiro na mão das entidades, para elas se virarem, do que a própria administração fazer aquilo que é seu dever constitucional: prover as necessidades educativas da população, e de forma direta (com seus equipamentos e seus recursos humanos, não os de terceiros).

Em 2006, por ocasião do Programa "São Paulo é uma escola", ao ampliar-se o tempo de permanência dos alunos dentro da escola (cumprindo a tal ampliação colocada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), criou-se em São Paulo a figura do oficineiro e das ONGs na Educação: as sextas aulas eram administradas por pessoas ligadas a entidades pagas pelo dinheiro público. Viu-se a criação de muitas ONGs para essa finalidade.

Claro que existem as ONGs sérias. Mas aflorou-se muitas com atitudes duvidosas. Por exemplo: juntar duas ou mais classes em uma única sala de aula e trabalhar capoeira, para ganhar por três turmas ao mesmo tempo. Nesse exemplo, obviamente, a qualidade do trabalho é nitidamente questionável pelos resultados obtidos: alunos machucados por trabalharem em espaço não compatível com a prática - e sobrava para os professores dessas turmas justificarem o injustificável para as mães que lhes reclamavam (quando não ameaçavam).

Paralelamente a isso, sempre existiram entidades ligadas a bancos e emissoras televisivas que se propuseram a fazer "trabalhos voluntários" dentro das escolas.  Nessas escolas o progresso não é atribuído ao trabalho docente, mas a esse trabalho terceirizado. Cria-se no inconsciente coletivo de que o público não tem qualidade, por isso o privado precisa se intrometer.

Junta-se a isso, mais recentemente, uma onda de propagandas institucionais de várias entidades e fundações mostrando seus feitos em suas instituições educativas, para alimentar ainda mais nesse inconsciente coletivo de que o privado gera soluções educacionais, o público está falido. Não cabe neste blog elencar essas entidades, mas devemos lembrar de algumas dessas propagandas, como a de uma fundação ligada a um grande banco privado, que diz possuir "a maior rede de ensino privado gratuito do Brasil";  ou de uma entidade ligada a industriários que sempre mostra sua qualidade no ensino técnico. Sem falar de uma entidade montada por um artista novelistico que sempre se coloca como "amigo" da escola (como se o docente fosse seu "inimigo" e, por isso, precisa de um "amigo" para melhorar-lhe a "qualidade").

Neste início de 2010 finalmente está se falando aos docentes sobre um "Plano Municipal de Educação". Acontece que esse plano não foi criado agora, é uma caminhada iniciada há anos, na qual o docente não foi chamado inicialmente. Sabe quem foi chamado desde o início e está contribuindo com sua "visão de educação"? Se ainda não se deu conta, volte ao início deste artigo e leia-o atentamente. Se ainda não percebeu porque há um discurso sobre as faltas dos professores e da criação de parâmetros institucionais de avaliação da rede, por favor, pare tudo agora e reflita profundamente sobre tudo o que estamos passando na rede nos últimos anos!

Agora pare um pouco e pense como o transporte coletivo vem sendo administrado aqui em São Paulo há mais de 10 anos. Não parece, mas tem tudo a ver com o que está acontecendo na Educação - e ninguém fala nada!

Veja: anteriormente tínhamos a CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), com frota própria e que controlava a frota de ônibus das empresas privadas (exatamente como acontece na Educação: a Prefeitura tem sua rede de escolas, mas gerencia as escolas particulares).

Acontece que a CMTC "comia" muito dinheiro público e era ineficiente. Então, ao invés de sanar os problemas internos dela, optou-se por "vendê-la" a empresas particulares (estas sim, são eficientes, como no discurso velado das entidades "parceiras" da Escola). A CMTC deixou de existir enquanto empresa pública (sua frota passou para empresas particulares) e em seu lugar criou-se um órgão gerenciador do transporte coletivo, a SPTrans (São Paulo Transportes): agora não tem mais frota, gerencia a frota das empresas particulares. Ou seja: trocou-se o público pelo terceirado, exatamente como ocorrerá com a Educação!

Continuando essa comparação da Educação com os transportes: sabe o que acontece com muitas empresas de ônibus aqui em São Paulo: elas não têm mais o funcionário com registro em carteira, contrata o motorista e o cobrador como um funcionário autônomo, numa espécie de "quarteirização" - dizem que é uma forma "eficiente" de se contratar, pois os encargos sociais "pesam" muito na folha de pagamento e que o funcionário registrado tem "muitos direitos" os quais atrapalham a "eficiência da empresa". Não parece com o discurso de que as faltas abonadas dos professores prejudicam a "qualidade" da educação?

Tem mais: há escolas particulares por este mundo afora que já "quarteirizaram" seu quadro docente, exatamente como várias empresas de ônibus fizeram com seus funcionários. Agora isso tudo chegar na rede municipal paulistana é uma questão de tempo!

Agora pare mais um pouco e reflita a quem interessa esse discurso de ótimos resultados em prova disso e daquilo. Pense também naquele seu aluno portador de necessidade especial, que teve um grande desempenho em aula, mas que as provas institucionais são incapazes de avaliar. Pense no porque sua gratificação salarial está atrelada aos resultados das provas institucionais e às faltas docentes. Pense numa rede estadual que já premia seus docentes por supostos "méritos". Pense num jornalista, proprietário de uma ONG, que critica o público e enaltece o privado. E, finalmente, compare, como eu fiz, o que aconteceu na administração do transporte coletivo paulistano e no que vem acontecendo conosco e em nosso sistema de ensino.

Pense com carinho. Mas não fique só no pensar e no lamentar. Porque enquanto estivermos lamentando e queixando, alguém estará tomando decisões em nosso lugar. E quando nos dermos conta, será muito tarde, estaremos "estufados e mortos" como o sapo que aqueceu-se junto às águas de sua lagoa: reclamava, mas não tomava qualquer atitude.

Escrevo e publico este arquivo em um fim de semana, fora de meu local e horário de trabalho, para que eu possa analisar a situação à distância, sem "sofrer" com as "consequências" do aquecimento da água de "nossa lagoa".

Abraços fraternais.

João César

Em tempo: estou cumprindo o dispositivo constitucional de liberdade de expressão. E ninguém poderá sentir-se ofendido por este artigo, uma vez que não citei nomes de absolutamente ninguém. E mais: "contra fatos não há argumentos", como se diz popularmente.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Amigo e



É, amigo é
Um passarinho que vem te acordar
Que vem te avisar que a noite já passou
Que amanheceu e uma estrela no jardim brilhou

E é o Sol, que amigo é
Está lá fora só prá te lembrar
Que o dia que começa um outro amigo é
Pois traz a chance de recomeçar

Refrão:
É, amigo é
A natureza, um alguém que te quer
Todo sonho que você procura realizar
Num amigo você vai encontrar

É, amigo é
Uma pessoa prá nos compreender
Só ele vai saber seus medos e ajudar
Quando você chorar tão triste te fará sorrir

Porque ele tem, amigo tem
Palavra certa que só traz a paz
Não pensa em receber, só quer oferecer
Sua amizade tão sincera

Refrão:
É, amigo é
A natureza, um alguém que te quer
Todo sonho que você procura realizar
Num amigo você vai encontrar

É, amigo é
Uma certeza de uma companhia
Que te conduzirá no que melhor achar
Tentando sempre o impossível para te ajudar

Porque ele tem, amigo tem
Um saber mágico prá te entender
E não importa se difere no pensar
Amigo sempre ao seu lado está

Refrão:
Amigo é
A natureza, um alguém que te quer
Todo sonho que você procura realizar
Num amigo você vai encontrar

É, amigo é
A natureza, um alguém que te quer
Todo sonho que você procura realizar
Num amigo você vai encontrar
Num amigo você vai encontrar
Num amigo você vai encontrar...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Se a Crianca

Dedico este texto a todas as famílias neste início de ano escolar. Pensemos com carinho na educação recebida pelas crianças. Existe uma parte que é responsabilidade da escola. Mas outra, que vem antes da escola, é responsabilidade da família. E não pode ser repassada a ninguém, pois família tem autoridade de família; escola tem autoridade de escola. Parceria não é troca de papeis, de obrigações, mas ajuda mútua no que cada um pode colaborar para o bem das crianças. Reflitam e sejam todos bem vindos!

SE A CRIANÇA...


Se a criança vive com críticas, ela aprende a condenar.

 
Se a criança vive com hostilidade, ela aprende a agredir.

 
Se a criança vive com zombarias, ela aprende a ser tímida.

 
Se a criança vive com humilhação, ela aprende a se sentir culpada.

 
Se a criança vive com tolerância, ela aprende a ser paciente.

 
Se a criança vive com incentivos, ela aprende a ser confiante.

 
Se a criança vive com retidão, ela aprende a ser justa.

 
Se a criança vive com elogios, ela aprende a apreciar.

 
Se a criança vive com aprovação, ela aprende a gostar de si mesma.

 
Se a criança vive com aceitação e amizade, ela aprende a encontrar amor no mundo


 
Fonte: Folhinha do Sagrado Coração 2005 (www.editoravozes.com.br)

Este e outros Textos em: http://textosmeditativos.blogspot.com/



PARA REFLETIR:

• E as nossas crianças, como vivem?

O que damos a elas?

O que esperamos delas?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

oracao

Deus, 


dê-me a sabedoria para mudar as coisas que eu posso mudar;  


paciência para aceitar as coisas que eu não posso mudar 


e discernimento para saber a diferença.



AMÉM.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Chega de Formulas - Educar vai muito alem disso

Em vários lugares, quer sejam escolas particulares ou públicas, os professores são tratados cada vez mais como idiotas. É isso mesmo! A expressão é forte, mas é a realidade! Vejamos porque:

Todos nós professores passamos por cursos de formação, desde o antigo Normal (Magistério), até a graduação e pós graduação. Claro que cursos e diplomas não significam muito, mas atestam que algum contato formativo o professor teve. Como o mundo está em constantes mudanças, e o educador deve acompanhá-las, a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional prevê também a formação em trabalho, ou seja, em determinados momentos o professor tem oportunidade de ler, refletir sobre novas descobertas e experiências no campo educativo. Isso garante-lhe atualização, ganho de ferramentas com as quais poderá usar em sala de aula.

Essa formação em trabalho a Prefeitura do Município de São Paulo foi pioneira em implantar em sua rede, nos anos 90. É a tal da JEI (Jornada Especial Integral), na qual o coletivo de professores tem a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos teóricos e trocar experiências. Ou seja: são oferecidas várias ferramentas para que o professor possa utiliza-las nos momentos mais adequados em suas aulas.  Não são momentos esporádicos, são momentos fixos ao longo da semana, pelos quais o professor é remunerado. É um investimento no professor.

Com o passar do tempo esse espaço formativo coletivo vem perdendo forças devido a novos enfoques dados a esses momentos. Gradualmente a reflexão e troca de experiências têm dado lugar a repasse de informes de como deve-se implantar programas praticamente já prontos e acabados, em sala de aula. O fornecimento de ferramentas e oportunidade de reflexão e escolha das mais adequadas em cada momento foi substituído pelo seguimento de uma única ferramenta, presente em verdadeiros manuais a serem aplicados cotidianamente. Seria mais ou menos como deixar uma oficina apenas com uma chave de fenda e um martelo, e dizer ao profissional quando e como usar essas duas ferramentas. Fecha-se cada vez mais as oportunidades de reflexão e escolhas.

Claro que é uma Rede de Ensino e, como tal, deve ter sua marca, suas características, suas orientações. Isso não se discute! Não se questiona também a qualidade dos materiais desenvolvidos pois em sua maioria são de ótima qualidade, com propostas muito ricas. O que se questiona é a retirada do poder de escolha e de decisão das mãos do professor. Somente o professor é capaz de usar a ferramenta certa, no momento certo, com o aluno certo. A mantenedora é, de certa forma, obrigada a subsidiar o coletivo de professores com as mais diversas ferramentas, não somente com aquela que julga a prioritária - com ou sem motivo (não cabe também discutir isso aqui).

Chego aqui a um ponto muito polêmico, mesmo entre os professores, mas não poderia deixar de lado, pois é o viés de toda essa discussão: o método de ensino! Isso mesmo, pego pesado ao falar de método de ensino, pois há muito radicalismo em defesas e combates. Eu mesmo, em início de carreira, fui defensor ferrenho de um e crítico cego de outro. Mas nestes mais de 16 anos em sala de aula (veja bem o grifo: em sala de aula) o aluno mostrou-me que o limite é ele: há quem se alfabetize mais facilmente por um do que pelo outro. E essa situação cotidiana fez-me lembrar de como fui alfabetizado (claro que não se pode repetir a experiência no hoje e no agora, o contexto é diferente, mas a situação é a mesma): brincando com letras e sons, algo não muito bem visto hoje, mas deixou-me tão maravilhado enquanto criança, que de certa forma trouxe-me de volta as aulas, como professor.


Tem aluno que consegue evoluir em suas hipóteses de leitura e escrita, porque são estimulados TAMBÉM fora da escola (e ai conseguem facilmente "avançar" do pré silábico, por exemplo). Mas há aqueles que são estimulados SOMENTE em sala de aula, e teriam que dispor de um tempo relativamente maior para sua "evolução", "passagem". E cabe exclusivamente ao professor verificar e aplicar a ferramenta adequada no momento certo, sempre em benefício do aluno. Mas como, se agora se pode tirar parafusos somente com chave de fenda? E os parafusos que precisam de chave philips ou mesmo de um alicate, como ficam? Lembrem-se da comparação que fiz com a oficina. Então o parafuso que precise de outra ferramenta ficará excluído do processo?

Muitos dos colegas professores devem estar incomodados com essa leitura. Respeito-os, como fui respeitado por outros colegas quando eu não havia descoberto isso ainda. Lembrem-se que todos os métodos tem seus pontos positivos, mas devemos usá-los de acordo com as necessidades do aluno, nosso bem maior enquanto educadores. Ser capaz de acolher o aluno em suas necessidades didáticas é nossa obrigação, é a verdadeira inclusão. Mas como fazê-lo se não somos subsidiados, se dão-nos uma caixa de ferramentas apenas com chave de fenda e martelo. Claro que na hora do desespero com aquele parafuso que não "gira", somos tentados em dar-lhe uma bela martelada. Mas fazer o que: em nossa maleta há somente chave de fenda (e de um tamanho só, apesar de cabos coloridos), e um martelo. Tirou-se a oportunidade de usarmos a chave philips com aquele parafuso de cabeça diferente (olha a inclusão ai, minha gente!), ou o alicate com aquele parafuso "duro de se lidar". Entenderam minhas comparações, colegas? Para quem me conhece pessoalmente creio que sim, mas aqui pela internet...


Fico com a fala inteligente de uma estagiária nossa: "como respeitar o tempo da criança em evoluir de uma hipótese para outra se a Prefeitura cobra que a classe toda esteja já em uma determinada hipótese, quer pelas sondagens periódicas, quer pelas avaliações institucionais, que ocorrem em épocas especificas e são iguais para todos? Onde fica o construtivismo tão defendido na nossa formação?"


Percebam que neste artigo meu deixei de tratar das condições de trabalho para tratar da questão exclusivamente didática, exatamente para mostrar que o "buraco" na Educação está muito além do que se fala por ai, vai além de prédios bonitinhos ou daquela maldita fala que nos jogam na cara, de que professor só quer trabalhar com o aluno ideal. 

Não se ofendam também com o meu grifo "em sala de aula": não estou menosprezando jamais quem agora está em cargos administrativos (conheço, pessoalmente, gestores maravilhosos, exatamente porque não se esqueceram de sua experiência em sala de aula) mas digo que a sala de aula é uma experiência UNICA, não existindo duas aulas iguais, dois alunos iguais...


Optei em escrever esse artigo nas férias, para evitar "contaminações", para permitir-me um olhar à distância.


Para terminar: alguém ainda não entendeu minha colocação inicial de que os professores são tratados cada vez mais como idiotas? Repito que não é nada pejorativo, mas uma realidade. Tome distância dessa realidade, como fiz nestas férias, e analise o que lhe é cobrado e os subsídios que lhe dão quando está em aula. Pior: verifique o tratamento que a sociedade nos dá, compare olhares, falas e até mesmo programas humorísticos.


Abraços a todos.


Professor João Cesar.
São Paulo (SP)

(Instrumento particular de livre expressão, prevista na Constituição Federal, que é maior do que qualquer lei existente que lhe contrarie).


Em tempo: Embasamento legal da multiplicidade de ferramentas pedagógicas - liberdade de cátedra: Constituição Federal, artigo 206:
"Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
...
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, ..."

Publicado originalmente em meu blog "Refletindo o Cotidiano Escolar":

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Laura Vicuna - Padroeira das Vitimas de Abuso

Ela não é muito conhecida no Brasil, mas teve uma vida semelhante a vida de tantas meninas que sofreram tentativa de abuso. Como Santa Maria Goretti (Itália) e  Beata Albertina Berkenbrock (Brasil), Laura Vicuña (Argentina) foi uma menina que lutou com todas as forças para não ser violentada sexualmente. E por isso foram levadas à glória do altar pela Igreja Católica.


Convém conhecer um pouco sobre a menina Beata Laura Vicuña. Confira nas linhas abaixo, extraídas da Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Laura_Vicu%C3%B1a):




Laura Vicuña Pino nasceu em Santiago do Chile, em 5 de abril de 1891, e morreu em  Junín de los Andes, no dia 22 de janeiro de 1904. É padroeira das vítimas de abusos e incestos, dos órfãos, dos mártires e da Argentina. Seu dia é 22 de janeiro.
Laura era a primeira filha do matrimônio de José Domingo Vicuña e Mercedes Pino. Seu pai era militar e pertencia a uma família da alta sociedade chilena; sua mãe, por sua vez, vinha de uma camada social mais humilde, o que não agradava muito à família de seu esposo.
No fim do século XIX, o Chile enfrentava uma Guerra Civil e de Sucessão. Nm dos lados na disputa estava Cláudio Vicuña, um parente distante de José Domingo, a quem queriam fazer o sucessor do presidente José Manuel Balmaceda. Sem embargo, Vicuña não aceitou o cargo e iniciou-se uma perseguição a toda a família Vicuña, obrigando seus membros a partir para o exílio.
Em 1894, logo após o nascimento de Júlia Amanda, a segunda filha de Mercedes e José Domingo, este faleceu, deixando a esposa e as filhas sem recursos, sem um futuro claro ou horizontes que pudessem seguir, além do risco decorrente de carregar o sobrenome Vicuña. Como uma medida desesperada, as três rumaram para a Argentina, onde permaneceriam por um tempo, enquanto os conflitos no Chile continuassem.
Mercedes e suas filhas se estabeleceram nas proximidades de Neuquén, Argentina. Inicialmente, a chefe da família procurou trabalho para bancar os estudos das meninas, chegando à estância de Quilquihué, de propriedade de Manuel Mora. Este não tardaria a aproximar-se de Mercedes, pressionando-a para que vivesse como sua esposa; assim, ele bancaria os estudos de suas filhas e as três poderiam permanecer na estância.
Assim, Laura ingressou no colégio "Las Hijas de María Auxiliadora", pertencente à Congregação Salesiana, onde foi instruída tanto cultural como religiosamente.
Laura realizou sua primeira comunhão em 2 de junho de 1901, manifestando sua vocação de amor a Deus e a sua vontade de servi-Lo, demonstrando-se inclusive disposta a entregar sua vida em vez de pecar.
Devido à sua profunda conexão com Deus, muitas companheiras pensavam que Laura se sentia superior a elas, uma vez que passava recreios completos rezando na capela do colégio.
Apesar de sua pouca idade, já possuía uma grande maturidade, que lhe permitiu conhecer os problemas de sua mãe e notar o quão distante se encontrava de Deus. Isto a motivou a rezar todos os dias pela conversão de sua mãe e para que abandonasse Manuel Mora.
Mercedes Vera (Mercedita) era a melhor amiga de Laura no colégio, acompanhando-a não somente nos estudos, mas também em sua devoção espiritual; era com ela que compartilhava os desejos que alimentava em seu coração, e junto a ela fez-se filha de Maria para assemelhar-se em virtudes com a mãe de Jesus.
Durante uma de suas férias escolares, Laura sofreu dois violentos ataques por parte do padrasto, que buscava dobrá-la às suas vontades. Como não alcançou seu objetivo, Manuel negou-se a continuar custeando os gastos dos estudos das meninas.
Imediatamente, o colégio resolveu o problema e permitiu que Laura seguisse estudando. Apesar disto, Laura sentia que a situação de sua mãe não havia melhorado, sentindo que não havia feito nada para ajudá-la.
Um dia, recordando da frase de Jesus: "Não há mostra de amor maior que dar a vida por seus amigos", Laura opta por entregar sua vida em troca da salvação de sua mãe. Este pedido foi escutado e em poucos meses caiu enferma, piorando sua saúde conforme avançava sua enfermidade. Em uma visita com sua mãe, Manuel Mora a agride, deixando-a ferida em sua cama.
Antes de morrer, Laura pede a sua mãe: “Morro; eu mesma o pedi a Jesus. Faz dois anos que ofereci minha vida por ti, para pedir a graça de sua conversão, mamãe. Antes de morrer, terei a sorte de ver-te arrependida?” Mercedes, com os olhos molhados, respondeu-lhe: “Te juro que farei o que me pedes. Deus é testemunha de minha promessa.” Finalmente, Laura sorri e diz a sua mãe: “Graças, Jesus! Graças, María! Adeus, mamãe! Agora morro contente!”
Assim, em 22 de janeiro de 1904, morreu Laura Vicuña Pino, entregando sua vida para a conversão de sua mãe. Seu corpo repousou, entre 1937 e 1958, no cemitério de Neuquén, tendo sido transladado para Baía Blanca, onde se encontram atualmente.
Após a morte de Laura, sua mãe refugiou-se durante algum tempo na Argentina, antes de mudar-se para Temuco. Em 1906, retornou à cidade de Junín de los Andes, onde sua segunda filha, Amanda, casou-se com Horácio Jones aos 12 anos de idade.
Com o matrimônio de sua filha, mudou-se para Freire, onde se casou na igreja e no civil com Malitón Parra, homem trabalhador e justo. Mercedes morreu em 17 de setembro de 1929. Manuel Mora foi assassinado numa disputa, durante uma corrida de cavalos, entre 1906 e 1907.
A Congregação Salesiana iniciou o processo de canonização de Laura, na década de 1950, encomendando a tarefa à Madre Célia Genghini, que passou vários anos coletando informações sobre sua vida e obra. Um impulso para a congregação foi a beatificação de Domingos Sávio (5 de março de 1950) e a canonização de Maria Goretti (24 de junho de 1950). Foi assim que na cidade de Viedma, província de Rio Negro, iniciou-se o processo de beatificação de Laura Vicuña. Célia Genghini não chegou a ver sua obra realizada, pois morreu naquele mesmo ano.
Laura não podia ser considerada mártir, e sua pouca idade não dava muitas esperanças para sua beatificação. De qualquer maneira, em março de 1981, este último requisito foi alcançado pela Congregação Plenária no Dicastério Romano. Com o decreto de 18 de março de 1982, a Congregação para a Causa dos Santos introduz a causa de Laura Vicuña. Em 5 de junho de 1986, com o Decreto de Virtudes Heróicas, Laura Vicuña Pino foi declarada Venerável.
Seu processo de beatificação foi impulsionado pelo milagre que, por sua intercessão, Deus concedeu à religiosa pertencente à ordem de Maria Imaculada, Ofélia del Carmen Lobos Arellano. Esta religiosa sofria de problemas pulmonares, e sua saúde se encontrava bastante delicada. Em agosto de 1955, foi desenganada pelos médicos, que a enviaram ao seu convento para “morrer em casa”. De imediato, pôs-se a rezar com fé a Laura Vicuña e melhorou de forma notória, recuperando a saúde e parte dos pulmões que se achavam irrecuperáveis. Na pesquisa científica da Congregação pela Causa dos Santos, foi catalogada como "5 sobre 5, recuperação inexplicável mediante a ciência".
Com o milagre já cumprido, em 3 de setembro de 1988 foi beatificada pelo Papa João Paulo II, em meio às celebrações pelos cem anos da morte de São João Bosco.
Aos pés do Cerro Renca e ocupando 30 hectares, na cidade de Santiago, encontra-se localizado o Santuário de Laura Vicuña, que possui uma capela com capacidade para cem pessoas, salas para encontros católicos e uma ampla área para reuniões de grupos dispostos a orar com Laura Vicuña.
Em 9 de dezembro de 1999, na cidade de Junín de los Andes, inaugurou-se um templo que foi restaurado e dedicado à memória de Laura Vicuña, sendo bancado pelas alunas do Colégio Maria Auxiliadora. A Primeira Eucaristia foi celebrada pelo Bispo de Neuquén, Mons. Agustín Radrizzani.


Bibliografia
-   Vida de Laura Vicuña, Editorial CSS, ISBN 848316762X (em espanhol)
-   Laura Vicuña, Editoral CSS, ISBN 8470438298 (em espanhol)
-  Una muchacha valiente: Laura Vicuña, ISBN 8483167611 (em espanhol)
-   Beata Laura Vicuña, ISBN 9604051 (em espanhol)
-   Laurita delle Ande. Vita di Laura Vicuna, ISBN 8831526979 (em italiano)
-   Laura Vicuña, Editora Salesiana, ISBN 8575471651(em português)


Filme
Em 1993, houve a produção filme Laura, Un Gran Amor dirigido por Giuseppe Rolando e que narrava a vida de Laura Vicuña e seus padecimentos antes de alcançar a conversão de sua mãe.




Transcrito do site http://grandessantosriodedeus.blogspot.com/ , para facilitar a questão de links (ali foram editados, de tal forma que não conduzissem à pagina de edição da Wikimapia, pondo-a em eventual risco). Fonte original no referido blog: http://grandessantosriodedeus.blogspot.com/2010/01/beata-laura-vicuna-1904-22-de-janeiro_21.html 


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